Bordadeira no Pará trabalha com a moda marajoara –
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Gilvany relata que, ao longo do projeto, notou uma inclinação desse público para atuar com conhecimentos tradicionais e vocações regionais. Seja por meio do artesanato, da preservação de sementes ou do cultivo de plantas medicinais. Na região Sul, por exemplo, destaca-se a produção de artesanato a partir de redes de pesca, realizada por mulheres de comunidades pesqueiras.
“Observamos que a geração 60+ demonstra um cuidado com o planeta, por ter presenciado muitas mudanças. Conforme avançamos, percebemos a responsabilidade de preservar, ou seja, manter este planeta vivo da maneira como o conhecemos”, relata Gilvany.
Os setores que despertam maior interesse para empreender nesse grupo são turismo, comércio e serviços. O Sebrae disponibiliza mentoria e consultoria aos empreendedores, com o objetivo de orientar aqueles que desejam iniciar um negócio ou atender o público acima de 60 anos. A participação dos idosos no programa é significativa e a taxa de desistência é baixa.
“Eles participam ativamente. O Sebrae desenvolve todo o plano voltado para as necessidades do empreendedor maduro que deseja desfrutar da vida, sem dedicar todo o seu tempo ao negócio”, esclarece.
O suporte oferecido é gratuito, desde a elaboração do plano de negócios até cursos e acompanhamentos personalizados. Além disso, são promovidos eventos para fortalecer a rede de empreendedores, incentivando a troca de experiências.
Mudança de paradigma no mercado
Associado ao interesse por empreender, o crescimento dos negócios liderados por pessoas acima de 60 anos está relacionado às mudanças demográficas e, consequentemente, do mercado de trabalho.
O aumento da expectativa de vida ao nascer – que era de 62,6 anos em 1980 e passou para 76,4 anos em 2023 – impactou a dinâmica de trabalho para a Geração Prateada (60+).
Atualmente, um quinto da população em idade ativa no Brasil pertence a esse grupo, segundo pesquisa da economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Janaína Feijó.
Os maiores percentuais de idosos na População Economicamente Ativa (PEA) em 2024 foram encontrados nos estados do Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores proporções foram registradas em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%).
“Ao contrário das antigas concepções que ligavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência, a Geração Prateada é caracterizada por um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca Janaína.
Ela identifica dois perfis entre os idosos em atividade econômica: os que trabalham por necessidade financeira e os que permanecem no mercado de trabalho para se manterem ativos e conectados profissionalmente.

A especialista ressalta que o preconceito etário – a discriminação contra os mais velhos – é um dos principais obstáculos para a permanência dos 60+ no mercado de trabalho. Ela destaca a importância de combater esse viés tanto na sociedade quanto nas organizações.
“No Brasil, estamos diante de um envelhecimento populacional e da escassez de jovens para a reposição dessa mão-de-obra que também envelhece. Se não contarmos com os trabalhadores acima de 60 anos, estaremos impactando negativamente o crescimento econômico do país”.
A especialista aponta o empreendedorismo como uma alternativa para aqueles que já estão aposentados, mas desejam manter-se ativos. Ela destaca, no entanto, a importância de os empreendedores acima de 60 anos formalizarem suas atividades para não ficarem em situação de fragilidade.