O Brasil e a Alemanha rubricaram nesta segunda-feira (20), em Hannover, um documento conjunto de intenções com o intuito de ampliar a colaboração científica e tecnológica na esfera de minerais críticos e estratégicos, que são considerados fundamentais para a transição energética e o progresso de tecnologias emergentes.
A cerimônia foi realizada durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrou com o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz.
O pacto, alcançado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, definirá as bases para a intensificação das atividades conjuntas em pesquisa, avanço e inovação ao longo de toda a cadeia de produção desses elementos.
Empresa Americana Adquire Mineradora de Terras Raras no Brasil
Brasil Conta com 4,5 Milhões de Empreendedores na Economia PrateadaOs minerais críticos constituem componentes vitais para tecnologias contemporâneas, defesa e transição energética, como a fabricação de acumuladores, painéis solares e turbinas, cuja disponibilidade enfrenta ameaças de escassez ou dependência de poucos fornecedores.
O Brasil detém uma das maiores reservas dessas matérias-primas no globo. O tema foi mencionado por Lula em sua declaração aos jornalistas após o diálogo bilateral com Merz. O chefe de Estado brasileiro ressaltou a necessidade de que a exploração dos minerais não se restrinja apenas à comercialização da matéria-prima.
“Nossas reservas também nos tornam agentes fundamentais no debate referente aos minerais críticos. Queremos atrair atividades de processamento para o território brasileiro, sem efetuar exportações discriminatórias. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não deseja se restringir a ser um simples exportador de commodities“, declarou.
Com base no acordo de colaboração, também abordado por Merz na sua fala à imprensa, Brasil e Alemanha se comprometem a ampliar ainda mais a pesquisa, o avanço e a inovação nas vertentes de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras e outros metais e minerais.
Ambas as nações reconhecem a relevância estratégica das atividades de pesquisa, avanço e inovação para ampliar o valor agregado ao longo das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos, contribuindo para o desenvolvimento industrial sustentável, a soberania tecnológica e o fortalecimento das capacidades fabris internas.
Dentre os compromissos firmados, inclui-se o suporte à inovação, sobretudo por parte de empresas de pequeno e médio porte em ambos os países, o início de projetos conjuntos de pesquisa, avanço e inovação para a gestão responsável de minerais críticos, a troca de especialistas, pessoal técnico de pós-graduação. Um novo programa bilateral de financiamento direto às instituições e empresas nacionais dos dois países deverá ser concebido ainda em 2026, conforme estipulado no acordo.
Outros tratados
Além do pacto de colaboração sobre minerais críticos, Brasil e Alemanha endossaram outros 14 instrumentos conjuntos durante a visita oficial de Lula ao país europeu.
Entre eles, destaca-se um acordo de cooperação para reforçar o combate a delitos ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca e mineração ilegais. Outro acordo aborda a cooperação na área de inteligência artificial, com enfoque em administração digital e aplicações industriais.
Também foi estabelecida uma carta de intenções na qual o governo alemão propõe ampliar o repasse de recursos ao Fundo de Resiliência Climática, gerenciado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O propósito será financiar projetos, estudos e iniciativas voltados à diminuição das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação às consequências das mudanças climáticas no Brasil. A instituição financeira alemã, KfW, planeja aportar cerca de 500 milhões de euros no fundo.
Os dois governos também assinaram documentos de cooperação nas áreas de defesa, investigação marítima, suporte a micro e pequenas empresas, exploração aeroespacial, tecnologias quânticas, economia circular, entre outros.
Na sua segunda visita oficial à Alemanha no atual mandato, Lula foi recebido com honrarias militares em Hannover para se reunir com Merz. O Brasil é uma das poucas nações com as quais a Alemanha mantém um acordo de parceria estratégica, considerado o mais alto patamar de relação diplomática entre países.
“Essa proximidade é mais relevante do que nunca nesses tempos de tantas alterações na ordem mundial. Pretendemos fortalecer os benefícios mútuos e ampliar nossa rede. Buscamos ser parceiros sólidos e com ideias similares”, afirmou o chanceler alemão durante sua fala à imprensa.
Além do encontro bilateral, Lula proferiu um discurso na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe, que este ano destaca o Brasil. Ele também participou de uma reunião com empresários brasileiros e alemães, na qual destacou as oportunidades no segmento de biocombustíveis.
Fonte: Agência Brasil
